LUGAR SAGRADO
É Possível Assentar Exu na Umbanda Branca?
Descubra se a Umbanda Branca assenta Exu, diferenças com Quimbanda e tradições afro-brasileiras. Entenda a Verdade Espiritual e Histórica por Trás desse Tema.
11/26/20255 min read


Assentamentos na Umbanda Branca: o que é mito, o que é tradição e o que realmente funciona?
Você já se perguntou se é permitido — ou até possível — fazer assentamentos na Umbanda dentro da chamada Umbanda Branca? Essa é uma dúvida muito comum, especialmente entre iniciantes que buscam orientação espiritual, mas se deparam com informações contraditórias, tabus e polêmicas.
E a verdade é simples, mas cheia de camadas: para entender por que essa discussão existe, é preciso mergulhar na história, na ritualística e na estrutura simbólica da Umbanda, da Quimbanda, do Candomblé e até das tradições de Ifá — e enxergar como cada tradição compreende Exu, energia vital, fundamentos, sacrifício e ancestralidade.
Neste guia aprofundado, você vai entender:
por que a Umbanda Branca não trabalha com assentamentos;
de onde vem a prática dos assentamentos;
qual é sua função energética, simbólica e ritualística;
por que na Quimbanda o assentamento só existe com sacrifício;
como separar cultos sem misturar fundamentos;
como se aproximar de um assentamento verdadeiro com responsabilidade;
como outras tradições do mundo usam objetos, oferendas e elementos fixadores de energia espiritual.
Prepare-se: este é um artigo de autoridade, com base em pesquisas históricas, referências acadêmicas e experiência prática dentro das tradições afro-brasileiras.
O que são Assentamentos na Umbanda e por que geram tanta polêmica?
O termo assentamento tem origem africana, ligado aos okutás e fundamentos usados pelos povos iorubás e bantos. Eles funcionam como pontos de fixação energética que conectam a entidade, o orixá ou o espírito àquele espaço.
Nos assentamentos na Umbanda, os fundamentos são adaptados — e nem todas as linhas da Umbanda os utilizam. Já a Umbanda Branca, especificamente, rejeita por completo essa prática.
Para entender por quê, vamos voltar às raízes.
Umbanda Branca: origem, estrutura e distanciamento da ancestralidade africana
Raízes da Umbanda Branca: Catolicismo e Kardecismo acima da matriz africana
A chamada Umbanda Branca nasce como uma vertente da Umbanda influenciada por ideais cristãos e kardecistas, privilegiando elementos “claros”, “elevados”, “angelicais” e “morais”.
Como destacam Reginaldo Prandi e Rogério Bastide, o processo de embranquecimento das religiões afro-brasileiras foi um movimento histórico do início do século XX, quando práticas de origem africana foram suavizadas, ocultadas ou substituídas por rituais considerados “aceitáveis” para a elite branca da época.
A Umbanda Branca adotou:
culto de Caboclos e Pretos-Velhos;
moralidade kardecista;
orações católicas;
rejeição às práticas consideradas “africanas” ou “mágicas”.
Por isso, a Umbanda Branca não cultua Exu e Pombogira.
A exclusão de Exu e Pombogira na prática branca
Em muitas casas classificadas como "brancas”, Exu é visto apenas como “guardião da casa”, e não como entidade comunicante.
Não há:
gira de Exu,
oferendas,
firmezas com bebidas ou elementos de força,
contato direto,
assentamentos.
Em alguns casos, médiuns relatam a presença de Exu atrás de Pretos-Velhos ou Caboclos — mas não existe autorização ritual para manifestação direta.
E sem culto direto, não existe assentamento.
É como tentar plantar uma árvore sem água.
Não é proibido por moralismo — é incompatível ritualisticamente.
Assentamentos na Quimbanda: origem, força e por que o sacrifício é indispensável
Se há um lugar onde o assentamento de Exu é legítimo, forte e funcional, esse lugar é a Quimbanda.
Autores como Nei Lopes lembram que a Quimbanda preserva estruturas muito mais próximas das tradições banto e iorubá, em comparação com a Umbanda Branca.
Assentamento verdadeiro exige energia vital
Todo assentamento tem um objetivo:
Fixar uma entidade num ponto físico de poder, usando elementos naturais conducentes à energia vital.
Na Quimbanda, esse ponto de poder é alimentado por sangue.
E sangue, como ensinam Pierre Verger e Antônio Simas, é a maior fonte de axé, ligação ancestral e força vital.
Por isso:
sem sacrifício, não há assentamento verdadeiro;
sem energia vital, o ponto fica “morto”;
sem fundamento, nada funciona.
Por que a Quimbanda não abre mão do sacrifício
A Quimbanda não suaviza sua tradição. Ela mantém viva a herança africana, onde o ejé (sangue) é fixador de axé.
Sacrifício animal na Quimbanda:
libera força vital;
alimenta o assentamento;
liga o iniciado à sua ancestralidade;
dá longevidade ao fundamento;
cria vínculo direto com o Exu.
Por isso, tentativas modernas de fazer assentamento “branco”, “vegano” ou “simbólico” não funcionam.
Assentamento simbólico x Assentamento real: diferenças e consequências
Prática Assentamento na Umbanda Branca Assentamento Tradicional de Quimbanda
Sacrifício Não existe Obrigatório
Força energética Baixa ou inexistente Alta, contínua e transformadora
Função ritual Meramente simbólica Real, funcional, duradoura
Orixás/entidades
envolvidos Nenhum Exus e Pombogiras
Impacto na vida
do médium Nulo Intenso, direto e profundo
Tentar fazer um assentamento de Exu na Umbanda "Branca" é literalmente:
Criar um fundamento sem energia para funcionar.
Origem ancestral dos assentamentos nas tradições africanas e indígenas
Os assentamentos não nascem no Brasil. Eles vêm de:
Yorubás (Nigéria, Benin)
Okutás e assentamentos de Orixás.
Elementos naturais vivos (sangue, ervas, búzios).
Povos Banto (Angola, Congo)
Nkisi fixados em potes, pedras e pontos de força.
Rituais com sangue e oferendas específicas.
Tradições indígenas brasileiras
Embora não existam assentamentos iguais aos africanos, os povos originários usavam:
pedras de poder,
objetos sagrados,
maracas,
altares com ossos, raízes e ervas.
Essa fusão afro-indígena ajudou a formar o Brasil espiritual.
Como outras tradições do mundo usam “assentamentos”
Hinduísmo → murtis consagradas com prana.
Budismo → estátuas que recebem energia ritual.
Xamanismo andino → mesas de poder fixadas com objetos sagrados.
Judaísmo → mezuzá como ponto de proteção energética da casa.
Assentar energia é universal — mas cada tradição tem seu método.
Como lidar com duas tradições: Umbanda Branca e Quimbanda sem misturar fundamentos
Sim, é possível praticar as duas.
Mas separadas.
Umbanda Branca → sem Exu, sem sacrifício, sem assentamento.
Quimbanda → com Exu, com sacrifício, com assentamento.
Misturar:
confunde as entidades
cria ruído energético
pode gerar consequências espirituais sérias
Guia prático: como buscar um assentamento legítimo
1. Encontre uma casa séria de Quimbanda
Procure tradição, não inventores modernos.
2. Conversar com o Tata, Iya ou sacerdote responsável
Pergunte:
Há sacrifício?
Qual a linhagem do terreiro?
Como funciona o assentamento?
3. Não aceite adaptações “brancas”
Como dizem os mais velhos:
“Sem fundamento, nada se firma.”
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Perguntas Frequentes
1. A Umbanda Branca faz assentamento de Exu?
Não. A Umbanda Branca não cultua Exu de forma ritual, logo não realiza assentamentos.
2. É possível adaptar um assentamento sem sacrifício?
Não. Sem energia vital, o ponto não fixa a força da entidade.
3. Qual a diferença entre assentamento e firmeza?
A firmeza é simbólica e energética. O assentamento é ritual, profundo e envolve fundamento vital.
4. Assentamento de Exu na Umbanda Branca funciona?
Não. É incompatível com a estrutura ritual da Umbanda Branca e não produz efeito energético real.
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